Por que Samuel Lino ainda não deslanchou no Flamengo? Entenda as diferenças táticas em relação ao Atlético de Madrid de Simeone

David S.Bustamante/Soccrates/Getty Images

O ponta brasileiro brilhou na Espanha em um sistema que potencializava sua velocidade e profundidade. No Flamengo, o contexto é outro e isso explica o rendimento abaixo do esperado.

Desde que chegou ao Flamengo, Samuel Lino ainda não conseguiu repetir as atuações empolgantes que teve sob o comando de Diego Simeone no Atlético de Madrid. E a explicação pode estar menos na parte técnica e mais na diferença tática e de contexto entre os dois clubes.

Na temporada 2024–2025, Simeone utilizou no Atlético dois esquemas principais: o 3-5-2 (ou 3-4-3) e o 4-4-2, sempre valorizando compactação defensiva e transições rápidas. Nesse modelo, Samuel Lino se destacava atuando como ala ou ponta-esquerda, com liberdade para atacar os espaços, acelerar contra-ataques e receber a bola em campo aberto, explorando sua velocidade, potência e arrancada — características que casavam perfeitamente com o estilo “reativo” do time espanhol.

O sistema com três zagueiros permitia que Lino subisse com intensidade, sem tanta responsabilidade defensiva. Já quando Simeone optava por dois atacantes, o ponta funcionava como uma espécie de segundo atacante aberto, buscando diagonais em velocidade e aproveitando a desorganização adversária.

No Flamengo, o cenário é completamente diferente. A equipe prioriza a posse de bola e o jogo apoiado, com linhas altas e adversários frequentemente retrancados. Isso faz com que Lino tenha menos espaço para acelerar e seja obrigado a participar de construções curtas, um estilo que ainda não parece natural para ele.

Além disso, o Flamengo costuma jogar com laterais ofensivos e meias que flutuam pelos lados, o que reduz o corredor que o ex-colchonero tanto explorava. O resultado é um jogador que recebe a bola mais de costas para o gol, em situações que exigem drible curto e tomada rápida de decisão, algo bem diferente de seu contexto ideal em Madri.

A adaptação ainda está em andamento e Lino tem potencial para virar peça importante no elenco rubro-negro. Mas, para isso, o Flamengo precisará entender como extrair o melhor de suas virtudes físicas e táticas, talvez com mais transições rápidas, inversões de jogo e liberdade pelo flanco esquerdo, onde ele sempre foi mais letal.

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